A meta “30×30” é a meta global incluída no esboço do Quadro Global de Biodiversidade pós-2020, que prevê que, até 2030, 30 porcento das superfícies terrestre e marinha mundiais deverão estar abrangidas pela conservação assegurada por sistemas de áreas protegidas. No Sudeste Asiático, onde atualmente apenas 3,88 porcento das áreas marinhas estão abrangidas por esta proteção, alcançar esta meta é um desafio enorme. Para catalisar a adoção de medidas para alcançar as novas metas para a biodiversidade no Sudeste Asiático, o projeto de Governação dos Oceanos da UE fez parceria com o Centro de Biodiversidade da ASEAN, para organizar um workshop de três dias em Puerto Princesa, nas Filipinas.

De 23 a 25 de novembro, 30 participantes de diferentes países da ASEAN reuniram-se em Puerto Princesa para partilharem entre si os seus conhecimentos e a sua perícia no que respeita ao progresso na elaboração de planos e estratégias para alcançar novas metas de proteção. O workshop foi organizado em preparação para a 15.ª Conferência das Partes (COP) da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CBD), atualmente em curso, onde será acordado o novo Quadro Global de Biodiversidade. O esboço atual do texto da CBD inclui a meta 3:

 “Assegurar que, pelo menos, 30 porcento das áreas terrestre e marinha mundiais, em particular, áreas de especial importância  para a  biodiversidade  e  os seus  contributos  para as  pessoas,  são  conservadas  através de  sistemasde  áreas  protegidas  ecologicamente  representativas  e  bem interligadas, geridas de maneira eficaz e equitativa,  bem como outras  medidas de conservação  eficazes  a nível regional,  e  integradas  nas  áreas  terrestre e marinha  mais  amplas” (CBD/WG2020/3/3 Primeiro Esboço do Quadro Global de Biodiversidade pós-2020) 

Alcançar esta nova meta de Aichi para a biodiversidade de, potencialmente, 30% no Sudeste Asiático requer imensa ambição e grandes investimentos. O sucesso deste empreendimento depende da cooperação transfronteiriça e da partilha de conhecimentos, algo que o projeto de Governação dos Oceanos da UE visa facilitar como parte das componentes 3 e 4 do seu projeto. O workshop em Puerto Princesa tinha como objetivo capacitar os países da ASEAN no sentido de melhor entenderem este novo conjunto de metas e aproveitarem todo o seu potencial para alcançá-las.

As Áreas Marinhas Protegidas não são a única forma de conservação aceite ao abrigo do Quadro de Biodiversidade, tendo o workshop refletido este facto através da discussão de abordagens alternativas à conservação local. Por conseguinte, as apresentações abordavam os temas das outras medidas de conservação regionais eficazes (OECM) e das áreas indígenas e conservadas pela comunidade. Os nossos oradores especialistas deram ainda palestras sobre o financiamento sustentável das diferentes medidas de conservação, dando azo e debates animados entre os participantes nos grupos de “brainstorming”. Um dos dias do workshop foi dedicado a uma visita ao Parque Nacional do Rio Subterrâneo de Puerto Princesa (PPUR), onde os participantes puderam ouvir o que as pessoas locais, encarregadas de gerir e conservar aquela área, tinham para contar.

O workshop foi um sucesso a vários níveis. Em primeiro lugar, concretizou o objetivo principal de partilhar conhecimentos e competências entre nações do Sudeste Asiático, com o intuito de facilitar o atingir das novas metas para a biodiversidade. Também criou uma plataforma para a cooperação e um espaço para se criar novas parcerias, na medida em que juntou intervenientes do governo e da sociedade civil de diversos países. Por último, este workshop serviu de primeiro contacto com o projeto de Governação dos Oceanos da UE, ampliando a nossa área de ação a novos países, como Brunei, Laos, Camboja, Vietname e Myanmar.

Queremos estender os nossos agradecimentos ao Centro de Biodiversidade ASEAN, aos nossos parceiros de consórcio na WWF e a todos os participantes pelo seu apoio e a sua participação neste workshop.